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Como Exercer a Liderança Ágil nos Tempos Pós-Normais!

Atualizado: 1 de jun. de 2022

Por: Júnior Rodrigues


Esse artigo apresenta um novo olhar sobre a forma de gestão nas organizações, que chamamos de liderança ágil, baseada em diversos conceitos que visam definir o perfil dos líderes no contexto atual. Com isso, pretende-se apoiar os gestores no desafio de encarar as transformações que as empresas enfrentam, principalmente com a chegada dos Tempos Pós-Normais.


Com as transformações que o mundo corporativo (e a sociedade de forma geral) vem enfrentando, é extremamente importante que as empresas e os profissionais se atentem para uma nova forma de gestão, mais aderente a esse novo cenário.


O mundo VUCA atual, com toda sua Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade, traz desafios até então impensáveis para os líderes e para as estratégias definidas na tomada de decisão tradicional das organizações.


Com o surgimento dos chamados Tempos Pós-normais, a flexibilidade e a adaptação aos diferentes meios de comunicação e tecnologias são essenciais, e se tornarão um enorme diferencial para aqueles que entenderem as regras vigentes e, por isso, terão condições de quebrá-las.


A emergência de uma sociedade cada vez mais colaborativa e com um foco maior no ser humano traz enormes impactos para as empresas, seja no desenvolvimento de produtos, seja na dinâmica das relações no ambiente de trabalho. Ainda, o surgimento das startups e, com isso, as organizações exponenciais, que crescem até dez vezes mais que as que crescem de forma incremental, introduz um modelo totalmente diverso de funcionamento organizacional.


A definição de uma visão com objetivos ambiciosos, alavancados por feedbacks dos usuários que maximizam o aprendizado, com uma massificação de personalização e o empoderamento das pessoas, permitem resultados que levarão a essa exponencialidade.

Muito mais do que se utilizar de métodos ou abordagens que promovam uma mudança estrutural, há de se preocupar com uma transformação cultural e de mentalidade das pessoas, sobretudo dos líderes, para que esses possam efetivamente apoiar o alcance de resultados.


Dessa forma, o modelo de gestão tradicional, focado no comando e controle, sem uma devida autonomia às equipes, que pune erros e não fomenta a colaboração, mata a inovação e, consequentemente, a chance de se extrair o melhor das pessoas.

Destaca-se, portanto, a necessidade de uma nova liderança, adaptável a todo esse maravilhoso novo mundo, e que tem se mostrado um grande diferencial competitivo nos cases dessas organizações que alcançam um crescimento exponencial.


Existem diversos conceitos que buscam definir o perfil desse líder atual e futuro, cada um colaborando com alguns aspectos essenciais para o sucesso no desempenho das equipes e, com isso, para o atingimento de metas e objetivos organizacionais.


Liderança servidora

Esse conceito, criado por Robert Greenleaf nos idos de 1970, se referia a um conjunto de comportamentos e práticas que demonstram como o líder realmente pode servir ao seu público (povo, equipe etc.). Nascia, então, mais que uma ideia. Nascia um movimento.


Ele inverte o modelo tradicional de liderança focado no poder, onde as pessoas trabalhavam para servir o líder, passando a enfatizar a colaboração, a confiança e a empatia. Pode ser considerada a base da liderança discutida hoje em dia com as transformações nas empresas.

Com isso, proporciona o desenvolvimento do indivíduo, o trabalho em equipe, o engajamento e a satisfação geral das pessoas. Consequentemente, entende-se que isso amplia a efetividade e a felicidade de toda a equipe.

Liderança Polímata

De acordo com o Michael Araki, o contexto das organizações exponenciais requer um novo paradigma.


É necessário que essa liderança esteja mais ligada com o desejo de crescer e prosperar de cada indivíduo, por meio da criação e disseminação de novas ideias adaptadas à realidade atual.

Esse crescimento individual foca em três aspectos principais relativos a seu conhecimento: abrangência (extensão e diversidade), profundidade (sistematização e experiência) e conectividade (integra habilidades, talentos e atividades e cria sinergia).


A evolução conjunta das três dimensões constitui o que se chama modernamente de polimatia, cujo processo se denomina Liderança Polímata, requer ainda que se tenha humildade intelectual e capacidade de otimizar o fluxo de ideias, além dessas 5 qualidades:

Visão integrativa - Desenvolver, integrar e manter traços, valores e ideias opostos.

Destreza mental - Se adaptar rápida, equilibrada e eficientemente ao ambiente.


Abertura com visão crítica - Aberto, consciente e crítico a ideias novas e diferentes.


Empatia cognitiva - Compreender as ideias de outra pessoa e o propósito por trás delas.


Força de caráter - conjunção de Autenticidade com Coragem intelectual.

Se baseia, portanto, em incentivar o alcance de níveis mais altos de aprendizagens, bem como objetiva superar coletivamente problemas difíceis, fazendo transformações e contribuições positivas para a sociedade.


Liderança feminina

Alguns estudos têm apontado a influência do gênero no mercado e, principalmente, no perfil de liderança necessário às organizações. Porém, mais do que a questão de gênero em si, é preciso uma mudança no modelo tradicional e patriarcal de gestão até então predominante.


Dessa forma, associa-se à uma visão feminina de liderança um maior desenvolvimento da inteligência emocional e construção de boas equipes, bem como uma motivação superior, sem perder de vista o alcance dos resultados.

Betina Rama define algumas características desse estilo de liderança, sendo:

Orientação às pessoas: São sociáveis, expressivas e próximas.


Tendência à cooperação: São ativas na inclusão e contenção das pessoas, com processos organizados e sadios.


Capacidade de agir em muitas direções: Capacidade inata de pensar e agir em muitas direções ou temas ao mesmo tempo.


Liderança horizontal: Encoraja a participação, compartilha o poder e a informação.


Predomínio do emocional: Têm em conta o lado “humano” das pessoas e gera altos níveis de empatia.


Maior predisposição à mudança: Sentido da qualidade, centrado na pessoa, flexível, comunicativa e persuasiva.

Management 3.0

Apresentado no livro de Jurgen Appelo, com o mesmo título (2011), é um modelo de gestão que se baseia no pensamento complexo, considerando, assim, as organizações como grandes sistemas de alta complexidade.


Não foca em hierarquias e cargos, mas sim na maneira como as pessoas se comportam e se relacionam em grandes redes de relacionamento, sendo priorizada a felicidade das pessoas. O Management 3.0 é um movimento que define o gerenciamento como responsabilidade do grupo.

Quando dos primórdios da gestão, se tinha um grande foco em eficiência, uma abordagem de comando e controle, e trabalhadores tidos como mero executores (gestão 1.0). Na década de 70, houve uma guinada para a melhoria da qualidade por meio do Six Sigma, TQA, Balanced Scored Card, porém o foco ainda era nos gestores (gestão 2.0).


Com a gestão 3.0 o foco muda para as pessoas, e a função do gestor passa a ser muito mais a de liderá-las do que realizar atividades de gestão ou coordenação. Ela se baseia nas 6 seguintes visões do líder:

Energizar pessoas - Gestores devem conseguir mantê-las motivadas, ativas e criativas.


Empoderar Times - Times auto-organizados por meio do empoderamento, autonomia e confiança dos gestores.


Alinhar Restrições - Guiar e alinhar o interesse de todos com um foco único.


Desenvolver Competências - Times autossuficientes, tendo a prioridade de preparar e evoluir as pessoas.


Crescer a Estrutura - Crescimento consciente e com foco no ambiente colaborativo.


Melhorar tudo - Melhoria contínua, errando e aprendendo com os erros.

E o que é holocracia?

Se trata de substituir a estrutura tradicional de poder por um sistema de distribuição da autoridade. Brian Robertson criou esse modelo para tornar a tomada de decisões mais ágil e a empresa mais responsiva aos desafios do mercado, focada no propósito.


O objetivo é que a empresa seja estruturada para aprender e responder mais rapidamente, por meio do fluxo de informação, incentivo à experimentação, ciclos de aprendizado mais rápidos e de uma organização em rede.

Com a eliminação de cargos fixos, se pretende fortalecer o engajamento dos trabalhadores ao permitir, via organização em equipes, a atuação em diversos projetos e com papéis diferentes, bem como elevar a criatividade via trabalho cooperativo e decisões consensuais.

Liderança ágil

O conceito de liderança ágil busca demonstrar o papel fundamental no alcance dos resultados em um ambiente colaborativo e de transformação para a agilidade, e como o líder se insere no mesmo.


Em adição, busca a adoção de um modelo de liderança que se adeque às mudanças no contexto do mundo atual e às abordagens ágeis, e sua importância no direcionamento das equipes face à visão e no apoio para se encontrar soluções eficazes.

Essas mudanças em relação ao modelo tradicional são significativas e tem a função de pavimentar o caminho para que as equipes possam alcançar um desempenho superior, sendo suas características principais:

•Melhor alinhamento à visão e propósito X Menos ordens e desorientação.


•Mais colaboração e comunicação X Menos isolamento e retrabalho.


•Mais respeito e confiança de todos X Menos egocentrismo e obscurantismo.


•Mais apoio e participação na equipe X Menos coordenação e falhas.


•Melhores decisões e entregas de valor X Menos desperdício e punição a erros.


•Maior crescimento e pertencimento X Menos desestímulo e turnover.

Conclusão

Sendo assim, requer-se uma visão mais ampla da liderança aplicada à necessidade dos Tempos Pós-normais, onde seguir regras é sinônimo de mediocridade e o crescimento exponencial se faz presente na realidade do mercado.


Conhecer os diversos conceitos que embasam o perfil de líder adaptável a esse contexto é de suma importância, levando-se como mantra a ideia de que a única certeza que temos é a de que tudo muda o tempo todo.

Prender-se aos modelos anteriores de gestão pode ser um erro fatal, assim como seguir cegamente novas abordagens, adotando-as ‘’ao pé da letra’’ em suas organizações. É preciso grandes doses de coragem e equilíbrio!


A adaptação é, dessa forma, a chave para a sobrevivência das empresas e, consequentemente, dos profissionais que desejam (ou precisam) continuar atuando nesse mercado constantemente em mutação.

E você, como tem enfrentado os desafios da liderança no contexto do mundo atual?


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

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